Eu sou Daltônico

Eu sou daltônico. Isso nem é tão incomum assim, estima-se que 5% da população mundial é daltônica (No Brasil são mais de 2 milhões de casos por ano). O que torna isso incomum é o fato de que as pessoas têm um conhecimento muito vago sobre daltonismo, algumas pessoas até acham que daltônicos enxergam em preto e branco, quando, na maioria dos casos a deficiência é só com tonalidades de verde/vermelho.

Muitas pessoas passam a vida toda sem nem saberem que são daltônicas, isso só prova que o daltonismo não interfere na vivência (pelo menos na minha não interfere, que fique claro que esse é um artigo sobre mim, então não se ofenda). Claro que, em certas profissões e afazeres o daltonismo pode sim prejudicar, no meu caso sou designer, convivo com cores o dia todo e pra mim não tem sido nenhum grande problema, é sério.

Pra vocês terem uma ideia, boa parte dos daltônicos só descobrem a anomalia na fase adulta, geralmente diagnosticado pela própria pessoa, isso porque nunca sentiram falta durante a vida, afinal, como sentir falta de algo que não se sabe que existe?. Daltonismo não significa que a pessoa não vê cores, mas sim que ela pode ter uma dificuldade de enxergar algum espectro de cor específico. No meu caso, o problema é com as cores verde/vermelho.

Existe um “daltonismo total” que alguns estudiosos se referem como cegueira das cores e não como daltonismo, essa sim é uma questão complicada já que a pessoa não enxerga cor alguma.

Daltonismo é um distúrbio que em 99% dos casos acontece nos homens. Mulheres são menos suscetíveis ao daltonismo por uma questão genética, o que torna o daltonismo em mulheres algo extremamente raro.

Eu passei boa parte da minha vida sem saber que era portador de daltonismo, quando eu descobri, comecei a relembrar as inúmeras vezes na minha vida que tive algum pequeno problema relacionado com as cores, mas que até então eu não havia percebido.

Os problemas eram coisas como:

– Vó, você viu minha camiseta cinza?
– Cinza?
– Sim, aquela que usei final de semana.
– Está no varal, mas é uma rosa.
– Caramba! Sempre usei ela achando que era cinza.

Ou um certo dia, em uma aula de fundamentos da linguagem visual onde o professor colocou o teste de Ishihara (teste para diagnosticar daltonismo) no Data Show e pediu para a classe dizer, em voz alta, os números que enxergavam.

Nos primeiros exemplos, quando eu via todo mundo falando em voz alta os números que viam eu pensava “Caramba, estão de zueira comigo. Eu não vejo nada”. Depois eu comecei cair na real de que era impossível eles terem combinado algo, pô! 30 pessoas citando os números em voz alta, parecendo um coral de tão sincronizados e eu não vejo nada. O problema só pode ser com minha visão.

Tudo bem, sem problemas, afinal sou designer e trabalho com cores todos os dias…*sarcasmo*

Depois de um certo tempo, você começa a notar em quais cores específicas você costuma ter problemas. No meu caso, o mais comum é confundir rosa com cinza e roxo com azul.

Com isso, fica evidente que mistura de cores que tenham pouco pigmento vermelho, fazem que meu cérebro ignore essa baixa pigmentação e enxergue somente a cor predominante. Afinal, roxo e rosa são cores que a porcentagem de pigmento vermelho é baixa.

Um outro exemplo seria o famoso verde limão, que eu costumo enxergar amarelo. Pelo mesmo motivo, baixa pigmentação verde faz com que eu enxergue a cor predominante, o amarelo.

Mas, quando as cores são mais saturadas, não tenho problemas para visualizar, bom, pelo menos não tive até o momento, ou acho que não tenho e enxergo diferente de todo mundo, mas tá dando certo até agora.

Depois de saber que eu tenho daltonismo eu passei a prestar muito mais atenção e pesquisar sobre isso, fazer testes, etc. Então, vou deixar aqui alguns artigos e vídeos legais sobre o tema, assim você conhece um pouco mais sobre essa diferença na visualização de cores e, quem sabe, até mesmo se você é daltônico também.

CdN Game Show – Você é Daltônico?

Leon explica sobre seu daltonismo e realiza alguns testes de daltonismo no vídeo com o auxílio da Nilce. É um vídeo bem legal, mesmo eu não enxergando muita coisa. O primeiro teste é o de Ishihara e só determina se você é daltônico ou não. Já o segundo teste que ele comenta mas não realiza no vídeo, mostra o tipo de daltonismo que você possui, podendo ser deuteranomalia, protanomalia ou tritanomalia.

Óculos para Daltônicos – Canal Cadê a Chave

Nesse vídeo o Leon comenta sobre seus óculos que faz com que ele enxergue um pouco melhor as cores, principalmente o vermelho. Além disso ele dá uma breve explicação sobre como o daltonismo funciona.

Anúncio da Coca-Cola que só pode ser visto por daltônicos

Esse é um daqueles artigos que faz com que você comece a notar que algumas marcas já se preocupam com uma parcela de público menor, nesse caso a Coca-Cola criou um anúncio que só daltônicos podem enxergar, legal né? Pois é, dá até pra zuar os amigos como uma forma de vingança pelas piadinhas infames, até porque as pessoas amam apontar para um objeto e me perguntar “que cor é essa?”.

Clique para ler o artigo

Azul é a cor mais loka – Artigo de um Designer Daltônico

Artigo de um designer que conta um pouco da sua história com o daltonismo, e como isso, de alguma forma acabou ajudando e trazendo até um certo reconhecimento pelo seu trabalho que utiliza cores mais saturadas, o que se tornou um diferencial em seus projetos.

Clique pra ler o artigo

Você enxerga todas as cores? Faça o teste! – Teste de Ishihara do canal Manual do Mundo

Esse é um vídeo do manual do mundo que contém uma breve explicação sobre o daltonismo e também, um pequeno teste de Ishihara no vídeo, teste esse realizado para diagnosticar pessoas com daltonismo.

Viu como daltonismo nem é tão complicado assim, pelo menos na maior parte?

Esse é um daqueles posts que não adentrei na parte teórica, não citei John Dalton (o cara que descobriu o daltonismo) e nem os nomes complexos dos tipos de daltonismo de forma aprofundada. Isso eu deixo pra você dar uma pesquisada se for do seu interesse. Minha ideia aqui era de simplesmente desmistificar a questão sobre como uma pessoa com daltonismo vive normalmente, e que isso não é nada tão incomum assim, afinal, você pode fazer parte dos 5% de daltônicos da população mundial e nem saber disso.

Já deixo claro que cada um tem sua visão e opinião sobre o assunto, eu convivo muito bem com isso e não tenho problemas. Outras pessoas já acham que por se tratar de um tipo de distúrbio o assunto tem que ser colocado de forma onde ser daltônico é um defeito, ou que tenho de que falar de forma mais delicada sobre o assunto. Bom, essa é minha forma de falar sobre o assunto, com minhas experiências reais.

Se você tem uma experiência diferente da minha e quer contar, deixa aqui embaixo nos comentários que ficarei feliz com essa troca de informação.

 

 

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